quarta-feira, 27 de março de 2013

BUSCAI PRIMEIRO O REINO DE DEUS, A SUA JUSTIÇA E TODAS AS COISAS LHE SERÃO ACRESCENTADAS




Na correria das grandes metrópoles, milhares de pessoas estão neste momento frenéticas, à procura de algo que as façam sentir-se bem sucedidas. E nesta sociedade o sinônimo disto é possuir acesso aos bens produzidos pela indústria e mercados mundiais.  
É verdade que a humanidade atingiu patamares altíssimos de evolução tecnológica e isto realmente foi benéfico à sociedade atual. No entanto, ainda vivemos um paradoxo muito grande entre riqueza e miséria. E esta distribuição desigual de riquezas tem gerado uma sociedade cheia de contrastes e de desequilíbrios.
Verificamos neste início do terceiro milênio uma humanidade que vive em função da aquisição dos bens materiais, compreendendo nisto a aquisição da felicidade humana.
 É natural desejarmos ter acesso aos bens que promovem uma qualidade de vida. Porém, quando isso se torna o centro de nossas atenções e a tomar conta de nossos pensamentos, desarranjam nossos sentimentos e quando menos percebemos isto passa a tomar conta de nossa vida, como único objetivo, e, de maneira inconsciente os sintomas da ansiedade, da irritabilidade, do medo, e da desarmonia de todos os matizes, que atingem nosso emocional e depois nosso físico, como o cansaço, a insônia, a gastrite entre outros.
Em seu sermão da montanha Jesus nos inquire que “não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes”?
E desta maneira nos quis dizer que somos aquilo que desejamos para nós. A forma como escolhemos viver, será refletido em todo o corpo.
A vida é uma oportunidade única de caminhar na busca do autoconhecimento e da construção de valores imperecíveis. Valores estes que permanecem diante da impermanência desta nossa pequena passagem pelo orbe terrestre.
Jesus nos faz um convite para que busquemos o “reino de Deus” e desta maneira, tudo nos será acrescentado pela justiça que sabe de nossas reais necessidades. A verdade é que quando focamos somente nas aquisições de valores materiais, mais nos afastamos dos valores espirituais e, somente estes últimos podem nos levar ao caminho da paz universal. E quando digo isto, não falo de um bordão, de um estereótipo, falo de algo construído dentro de nós mesmos, e que transborda para fora em nossa atitude de viver.
O trabalho é a ferramenta que traz benefício a todos, promove a possibilidade de usufruirmos das coisas de que necessitamos. Porém, o trabalho não deve ter como objetivo único acumular aquilo que não nos é necessário. Ser prudente não significa agir egoisticamente, mas, sobretudo é agir com consciência, administrando com zelo as conquistas realizadas.  O excesso em relação aos bens terrenos leva ao apego e desta forma colocamos nossos interesses pessoais acima dos interesses sociais e coletivos.
Assim, quando se acumula aquilo que é improdutivo para nossa existência, a energia represada, fica estagnada e não flui em benefício dos outros. Com o excesso de bagagem, a viagem terrena torna-se mais pesada e mais vagarosa. E ao chegar ao ponto de chegada, descobriremos que não poderemos entrar no “Reino” com este excesso. Quanto ao convite que nos é feito, é de que sejamos usufrutuários de benefícios não somente para nós, mas para todos os que estiverem à nossa capacidade de auxiliar. Quando nos dispomos a valorizar as virtudes que nos guia ao reino de amor do Pai, ele nos encoraja a enxergar o mundo a nossa volta e nos dá de acordo com a nossa disponibilidade de servir à humanidade.
Na confiança de que Deus, em sua infinita bondade, não abandona nenhum de seus filhos, deixamos de nos preocupar com o que será do amanhã, vivendo da melhor maneira o hoje, em harmonia que se expressa na nossa relação conosco, com o outro e com o Universo. Isto por que sabemos que Deus irá prover nossa existência daquilo que necessitarmos para seguir nossa jornada. E sem o excesso de bagagem ela tornar-se-á mais leve e mais frutífera.  
Vera Lucia de O. do Nascimento
São Paulo, 27/03/2013


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